8 de maio de 2013




Acordar com o cheiro da sua comida, ou com você reclamando que estou dormindo até tarde.
Ter seu abraço reconfortante (o melhor do mundo) todos os dias.
Dividir o sofá e o cobertor com você, enquanto você faz aquele cafuné sem igual.
Reclamar da sua mania de conversar com os personagens da novela.
Fazer brigadeiro de panela só pra dividir com você.
Seu cheiro de cremes de todos os tipos... a pessoa do melhor cheiro da minha vida
Seus conselhos e a confiança que eu tenho em ti, pra tudo!

Não quero ficar sem isso, nunca.

Seu jeito resmungão de falar comigo.
Bruto sem igual, porém me faz rir todos os dias.
Tem seu jeito de ser carinhoso, e eu o amo da mesma forma.
Ainda me vê como sua menininha.

Não quero ficar sem isso, nunca.

Ser recebida todos os dias com o maior carinho e felicidade, mesmo que eu tenha passado apenas 10 minutos fora.
Ter quem fique do meu lado, mesmo em silêncio, e desse jeitinho me conforte de tudo.
Minha pequena vidinha da minha vida.

Não quero ficar sem isso, nunca.

O abraço que me esmaga e deixa sem ar, e machuca muitas vezes.
A sua forma de rir de tudo, em momentos indevidos, e querer me fazer rir também.
Pensar precipitadamente, sentir precipitadamente,  calma poxa.
Não conseguir ficar calado nunca, e na maioria das vezes falar bobagem.

Não quero ficar sem isso, nunca.

As músicas que me fazem lembrar de ti.
Os lugares que planejamos ir, as coisas que planejamos fazer, as promessas para anos futuros (que agora não fazem mais sentido).
Toda essa história que parece sempre estar no fim, mas sempre volta.
O cheiro que nunca muda, nem o abraço, nada.

Não queria ficar sem isso, nunca.



18 de abril de 2013

Quando ela se olhou no meu espelho.


(de  http://entretodasascoisas.com.br/ )

     Ela se acha feia enquanto se olha da cabeça aos pés com o maior olhar de reprovação que já se viu no mundo. Ah, se ela soubesse que quando aparece na minha frente é como se ligassem um holofote e apagassem todas as outras luzes do mundo. Ela tem aquilo que toda mulher tem antes de sair de casa: insegurança pré-encontro. Diz que não tem roupa nenhuma pra usar, se joga na cama bufando pelos cantos e se irrita a ponto de chorar por se sentir gorda e descabelada. Se ela soubesse que top model nenhuma tem as curvas perfeitas dela que se adaptam às minhas mãos no momento em que as cócegas a fazem sorrir de felicidade…
     Ela me pergunta o que eu acho dela. E se eu fosse ser sincero demais, talvez ela não acreditasse. Que mulher vai acreditar que eu a vejo como a coisa mais importante do mundo ? Pode soar falso quando a gente fala verdade demais. É preciso medir as doses e aplicá-las em pequenas quantidades de tempos em tempos. Ah, se ela soubesse o quanto seus olhos refletem a vida que eu quero ter um dia e como os seus lábios me chamam com paixão e ternura de um modo que eu me perderia em tudo o que ela dissesse com atenção e devoção. Ela brinca de ciranda com meus olhos. Pra lá e pra cá enquanto eu espero pacientemente pelo seu ritual de preparo para um jantar qualquer. Uma hora, duas horas e nem me importo mais se conseguiremos lugar na fila ou se teremos que comer um cachorro-quente na esquina. Ah, se ela soubesse o quanto eu gosto de puxar os cabelos dela e sentir o cheiro deles de manhã cedo quando acordo…
     Ela é linda, inteligente, charmosa, encantadoramente minha. Mas se perde em devaneios quando pensa sobre si mesma. Eu diria que essa inconstância gostosa faz parte de toda mulher. Mas não. É dela e só dela. É ela quem chega, tímida e acanhada, e me arranca um sorriso torto de quem não quer sair dali de jeito nenhum. E ela quem joga as pernas por cima das minhas enquanto o filme vai ficando mais chato a cada minuto. E ela mesma quem chora com um final feliz. Dá gosto de estar com uma mulher assim, sabe ? Ah, se ela soubesse como o rosto dela reluz todas as vezes em que acredita num final feliz. Me dá vontade de ficar pra sempre e oferecer o meu “pra sempre feliz” pra ela, sem final nenhum. Menina bonita, sabe ? Dessas que poderiam facilmente se passar por mocinha de filme romântico e vilã de animação. Ela tem um jeito bobo de não acreditar quando eu digo que ela está magnífica quando prova uma roupa e me pergunta o que eu acho. E daí ficamos mais alguns muitos minutos enquanto ela trava essa batalha com o espelho e eu me divirto com a irritação desnecessária dela. Ah, se ela soubesse quão sexy ela fica todas as vezes que prende o cabelo e veste aquele roupão de seda quando sai do banho para provar uma roupa…
     E daí que ela finalmente se arruma e aparece, encantadora, na minha frente. E aquele “que tal ?” parece pergunta com a resposta mais óbvia do mundo. É claro que você está da forma mais majestosa que artista algum conseguiria descrever em pinturas, fotografias ou palavras. Garota, você sabe quão maravilhosa você é ? Acho que não faz idéia da força que tem nos olhos, no andar marcante, nas pernas torneadas. Nem imagina o quão bonitos são teus gestos, a tua tatuagem bem desenhada na panturrilha e a argola no nariz que te deixa com aquele ar de menina indie que gosta de bandas esquecidas. Você nem deve entender o porquê da minha admiração enquanto você traja um vestido florido meio bobo, meio sem graça, que não faz a menor diferença quando o assunto é sobre você. E as pessoas na rua vão perceber.  Vão reparar que não tem roupa, nem acessório e muito menos salto alto que possam desbancar uma mulher dessas na minha frente. E a minha boca aberta não é de espanto nem de surpresa: é de constatação. Meu bem, você é algo que eu nem sei dizer direito. Assim, do seu jeito.

Texto do Daniel Bovolento

16 de setembro de 2012

Faz tempo



Faz tempo que eu não tenho vontade de escrever. Na verdade, faz tempo que não tenho vontade de muitas coisas...
É, faz tempo que não faço coisas que costumava fazer pelo simples fato de me apetecer... Sem recompensas futuras. Deixei pra trás velhos costumes que me alegravam...
Faz tempo que associei novas músicas a novos momentos. As músicas que me fazem companhia ultimamente são as mesmas que me trazem velhas lembranças, ou mesmo as novas músicas servem pra renovar essas tais lembranças...
Faz tempo que uma gargalhada durou tempo suficiente pra me fazer chorar. Aliás, talvez faça um certo tempo em que as risadas não foram forçadas, ou não foram influenciadas por algum líquido ingerido. Até pra chorar de tristeza tenho necessitado de um estímulo.
Aquela vontade de demonstrar carinho há tempos não existe, só indiferença, "nem ligo, que seja, tanto faz"... Os sentimentos não importam, nada mais tira o fôlego. Faz tempo ein!
Faz um certo tempo que nem os filmes me impressionam mais. Comédias sem graça, terror que me permite dormir tranquilamente à noite, suspenses que não deixam mais uma interrogação na minha cabeça... Nenhum gênero cumpre o prometido.
Ah, mas faz tempo! Faz tanto tempo que não sinto as famosas e já bem conhecidas borboletas no estômago. Não ouço falar nem das larvas desconfiadas. Nada.
Eu até tento... Conheci pessoas novas, todas sempre tão iguais. Até os já conhecidos parecem ter se tornado iguais. Nada a mais, compatibilidade longe de ser satisfatória, futilidades, simplicidade demais, características que não me agradam... Depois disso? Vazio. Conversas vazias, coração vazio. Nem mesmo as viagens curtas que me faziam tão feliz... Hoje só trazem alívio imediato, logo passa.
Eu não sei. Aliás (isso sim faz muito tempo!) faz tempo que sei de algo. Incertezas deveriam ser tão presentes assim? Eu não sei se é realmente preciso buscar um caminho novo, desses que ultimamente só decepcionam e me fazem perder a vontade de buscar...
Faz tempo né...

23 de junho de 2012


     Cadê a tampa da minha panela, o chinelo do meu pé cansado, a metade da minha laranja?
     Tá em ebulição, vazando, transbordando, e nada da tampa da panela pra socorrer a lambança. É culpa da pressão que eu ponho em tudo isso? É o que dizem: desencana que uma hora ele aparece. [...] Ah, sejamos sinceras mulheres modernas: no fundo, no fundo, a gente quer mesmo é alguém pra dormir protegida no peito. [...] É vontade de sentir aquela coisinha misteriosa de "é esse!". Como será sentir isso? Eu sempre sinto que "pode ser esse, ou talvez com algumas mudancinhas possa ser esse ou talvez se ele quisesse, poderia ser esse...". Não, isso tá errado. Quero sentir que "é esse".     
     Dizem que materializar os sonhos escrevendo ajuda, então lá vai: quero transar com beijo na boca profundo, olhos nos olhos, eu te amo e muita sacanagem, quero cineminha com encosto de ombro cheiroso, casar de branco, ser carregada no colo, filhos, casinha no campo com cerquinha branca, cachorro e caseiro bacana. Quero ouvir Chet Baker numa noite chuvosa e ter de um lado um livrinho na cabeceira da cama e do outro o homem que amo.   
     Quero sambão com churrasco e as famílias reunidas. Quero ter certeza, ali no fundo da alma dele, de que ele me ama. Quero que ele saia correndo quando meu peito amargurado precisar de riso. Que ele esqueça, de vez em quando, seu lado egoísta, e lembre do meu. Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz parte do amor. Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, et, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura.  [...] Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, [...] que respeite meus enjoos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina. [...] Tem que dançar charmoso, ser irônico, ser calmo porém macho (ou seja, não explodir por nada mas também não calar por tudo). Tem que amar tudo o que eu escrevo e me olhar com aquela cara de "essa mulher é única".
     É mais ou menos isso. Achou muito? Claro que não precisa ser exatamente assim, tintim por tintim. [...] Bom, analisando aqui, dá pra tirar umas coisinhas. Deixa eu ver... Resumindo então: tem que dizer que me ama e me amar mesmo. [...]
     E quando eu tiver tudo isso e uma menina boba e invejosa me olhar e pensar que "aquela instituição feliz não passa de uma união solitária de aparências" vou ter pena desse coração solitário que ainda não encontrou o verdadeiro amor.





TATI BERNARDI.

25 de maio de 2012

Possibilidade




     Poderia ser o seu gosto musical compatível com o meu. Aquela sua banda preferida que você faz questão de mostrar que conhece bem, aquele seu ídolo da MPB que te faz parecer mais inteligente, aquelas faixas vergonhosas que você me confessa ouvir …
     Poderia ser o livro do Bukowski que você me emprestou, [...]. Poderia ser a forma como você se assusta com um inseto, segura o rosto do seu gato entre as mãos, muda o canal da TV sem nem parar pra ler os programas que estão passando…
     Poderia ser esse seu jeito estranho que me confunde, suas tabelas periódicas que sempre estão dentro dos seus livros de literatura, o copo do Flamengo que eu te dei que você sempre pega para beber Coca-cola [...]
     Poderia ser o seu restaurante favorito, sua bicicleta [...], o seu sono pós-cappuccino da padaria da esquina, a sua tendência a achar graça na minha ironia, o capuz do seu casaco preto que te deixa com cara de bolacha quando você o utiliza…
[...]
     Poderia ser você. Se você não estivesse tão ocupado cogitando as possibilidades de outro ser por você. Poderia ser você. E eu poderia ser sua.

* com algumas modificações convenientes; retirado de Entre todas as coisas .